A Razão Humana e Seus Perigos (II)

Sabemos que nossas idéias têm outras funções além daquelas relacionadas com o processo de aprendizado e de transmissão daquilo que se sabe para as outras pessoas. Elas são, de uma certa forma, uma característica que nos define, que diz coisas a respeito de nós mesmos. Tanto isto é verdade que gostamos muito de exibi-las para as pessoas que nos cercam. Nos orgulhamos delas, das deduções e interpretações que fomos capazes de fazer a respeito de um dado assunto. Nossa vaidade fica gratificada quando ouvimos elogios à nossa inteligência e ao modo como somos capazes de raciocinar. Nossas idéias são também nossa pátria, onde nos sentimos seguros, onde temos a impressão de estarmos controlando as variáveis mais importantes para nós. Gostamos quando as pessoas concordam conosco e nos sentimos inseguros e ameaçados quando as divergências acontecem, principalmente quando elas se dão com pessoas que nos são importantes.

Acredito que a intromissão destas emoções — a vaidade e a insegurança — no nosso modo de ser e de pensar se dá desde a infância. As crianças, especialmente as mais inteligentes, percebem logo que são admiradas por suas deduções, por suas observações originais a respeito de algum assunto que esteja sendo tratado. Fica orgulhosa com isto e trata de se exercitar o mais possível nesta área, que poderá se transformar em sua forma principal de chamar a atenção. Além disto, pessoas inteligentes tendem para confiar cada vez mais em seu intelecto, em sua capacidade de raciocinar e em suas conclusões. Com isto, sentem uma certa segurança a mais, como se tivessem sido dotadas de um equipamento mais perfeito para enfrentar os dilemas da vida.

Tudo é faca de dois gumes. Ter uma boa inteligência é, é óbvio, uma grande vantagem. Porém, na medida em que a criança — e depois o adolescente e o adulto — vai confiando muito no seu cérebro, passa a não prestar atenção ao modo de pensar e às conclusões das outras pessoas. Para que irá se interessar por elas se pode saber melhor por si? A partir daí as coisas se complicam bastante, pois vai se desenvolvendo uma atitude de crescente desprezo pelo que se ouve. Estas pessoas, que não são poucas, se tornam as “donas da verdade”, aquelas que não são capazes de prestar atenção sincera nos argumentos dos outros e apenas os ouvem com o objetivo de encontrar defeitos na sua argumentação. deixam de lado as trocas de informação e só se interessam por fazer prevalecer seus pontos de vista. É como se a atividade intelectual tivesse se transformado num desafio, numa guerra que terá que ser vencida a qualquer preço.

Este tipo de utilização da razão é prejudicial por todos os pontos de vista, além de transformar as pessoas que assim agem em criaturas desagradáveis, quando não chatas e agressivas. As pessoas que não trocam informações e formas de pensar vão se fechando em seus próprios raciocínios de uma maneira muito perigosa. É através das trocas que podemos conferir nossos pensamentos e saber se não estamos errando em algum momento da reflexão. É através das trocas que podemos acrescentar elementos interessantes e novos aos nossos processos internos, de modo a termos idéias sempre em renovação, coisa que nos faz jovens e cheios de interesses. Se uma pessoa deixar de ter este espírito que costumo chamar de “poroso”, permanentemente permeável às trocas com os outros seres humanos, ela tenderá para um tipo de comportamento racional que tenho chamado de “autismo intelectual”.

O termo autismo é usado para aquelas pessoas, doentes mentais de certa gravidade, que não estabelecem elos emocionais com o meio em que vivem. Se isolam e não têm interesse em se comunicar. O autista intelectual se relaciona com as pessoas, mas tem peculiaridades de retraimento no mundo das idéias: não está disposto a ouvir e a refletir sobre o que pensam as outras pessoas; nutre um profundo desprezo por elas, além de ter uma atitude agressiva de querer fazer suas idéias prevalecerem sempre. Tal agressividade é denunciadora de que alguma coisa não vai tão bem no mundo íntimo destas pessoas aparentemente tão fortes e auto-suficientes. A verdade é que são, com freqüência, portadoras de grandes inseguranças em alguma área emocional e passaram a usar sua eventual competência intelectual para compensar suas fraquezas.

Estas pessoas acabam numa situação bastante complicada, uma vez que esta eventual superioridade intelectual não irá jamais resolver seus sentimentos de inferioridade em outras áreas — aparência física, altura, cor da pele etc. Além do mais, acabam por fazer mau uso da sua razão, de modo que até mesmo se tinham nela um instrumento privilegiado, agora não conseguem fazer outra coisa senão ficar patinando e derrapando em sua próprias idéias. E o pior é que, por falta de renovação, as idéias se tornam obsoletas, levando a vida destas pessoas para um beco sem saída. São estas as criaturas que ficam velhas precocemente, pois o mais visível sinal de envelhecimento é exatamente a perda da elasticidade no processo de se pensar sobre as coisas da vida.

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  • Edson Roveri

    Obrigado Mestre! Ficou bom meu retrato, mas vamos mudá-lo???

    Vamos misturar umas cores diferentes, misturar cores de pessoas de suas idéias e experiências, entrosar, enfim, viver né.

    Abraços!

    Quero aprender

    Sua lição

    Que faz tao bem

    Pra mim,

    Agradecer

    De coração

    Por você ser assim

    Legal ter você aqui,

    Um amigo

    Em que eu posso acreditar

    Queria tanto te abraçar

    Pra alcançar as estrelas,

    Não vai ser fácil mas se eu te pedir,

    Você me ensina como descobrir

    Qual é o melhor caminho.

    Foi com você

    Que eu aprendi

    A repartir tesouros

    Foi com você

    Que eu aprendi

    A respeitar os outros

    Legal ter você aqui

    Um amigo em que eu posso acreditar

    Queria tanto te abraçar

    Pra mostrar pra você que eu não esqueço mais essa lição amigo eu ofereço

    Essa canção ao mestre com carinho!!!

    Pra mostrar pra você

    Que eu não esqueço mais essa lição

    Amigo,eu ofereço essa canção

    Ao mestre com carinho.