A Realização Profissional e a Felicidade em Família

Por em 11/06/2014

Pessoas felizes e realizadas no trabalho nem sempre conseguem transferir os bons resultados para o ambiente familiar. Muitas são as questões envolvidas e talvez uma das mais relevantes tenha a ver com a dinâmica conjugal; é a ela que vou me dedicar aqui. Também irei me ater, apenas para efeito de síntese, à condição mais frequente, qual seja a dos homens como os mais bem sucedidos profissionalmente. O maior problema, a meu ver, é que muitos deles não integram suas parceiras em suas atividades: elas não participam das dificuldades e nem a elas atribuem parte dos louros do sucesso. Isso acaba por determinar um perigoso afastamento conjugal, não raramente recheado de ingredientes invejosos – quem é excluído fica suscetível a esse sentimento.

Muitos homens, por não quererem preocupar suas parceiras ou então por estarem cansados e sem vontade de conversar sobre os assuntos do trabalho, as deixam por fora desse tipo de inquietação. A pretexto de poupá-las, na realidade as estão excluindo, subtraindo sua função como copiloto! Na maior parte das vezes são casados com mulheres inteligentes e bem formadas que poderiam e deveriam funcionar como conselheiras competentes e idôneas; quando isso não acontece, elas se sentem muito mal aproveitadas. Acabam se dedicando quase que exclusivamente às tarefas domésticas e à gestão do cotidiano dos filhos, tarefas hoje pouco valorizadas e que nem sempre as preenchem intelectualmente.

Acaba se abrindo uma fissura no elo conjugal, o que é extremamente maligno e prejudicial para o futuro da relação e também para a educação dos filhos. A cumplicidade de um casal no qual o homem pilota a atividade profissional e a mulher é o copiloto não tem qualquer conotação machista. O piloto é alguém que ocupa a função por ser admirado pela parceira, respeitado por ela que se encantou sentimentalmente em virtude de suas qualidades. No caso em que ambos trabalham, na atividade da mulher ela será o piloto e ele, o copiloto.

O importante é que haja comunhão e cumplicidade no casal: ambos ganham e ambos perdem. Formam-se alianças solidárias, estáveis e fundadas em um só conjunto de valores. Não há rivalidade ou inveja, não há um mais e outro menos bem sucedido: ambos são vencedores. O modo de ser desses casais é governado por um único conjunto de normas, construídos com a colaboração e anuência de ambos. Casais que têm filosofia de vida e projetos em comum têm muito mais chance de serem felizes e curtirem os desdobramentos do sucesso profissional de qualquer um deles, posto que todo sucesso – e todo fracasso – é compartilhado.

Outro desdobramento fundamental deste estilo de vida em que o casal está unido em torno de ideais claros e unificados é que os filhos crescem num ambiente de concórdia e onde há apenas um código de valores. Quando não é esse o caso, ou seja, quando um dos cônjuges é mais estourado e intolerante e o outro mais sereno e dócil, os filhos têm dois padrões com os quais podem se identificar e, se forem dois, cada um será de um modo, o que é péssimo porque desde cedo viverão às turras e, no futuro, seguirão caminhos bem diferentes.

Casais harmônicos em que ambos batalham, cada um no seu papel, para o sucesso e felicidade profissional, transmitem, através do exemplo, todas as boas virtudes que eles cultivam para seus filhos. Quando um é trabalhador e o outro é ocioso, o exemplo que se passa é de dois tipos e o mais provável é que isso redundará em dois “modelos” de filhos. Se ambos forem determinados, disciplinados, tolerantes a frustrações, contrariedades e revezes, seus filhos sairão à sua imagem e semelhança!

Quanto mais sólidos forem os valores familiares, menor será a influência do meio. Ou seja, o mais provável é que, quaisquer que sejam as circunstâncias sociais, os filhos tendam a seguir os passos de seus pais.

Pais felizes e ambos realizados em suas funções de piloto e copiloto costumam ter filhos igualmente felizes e que serão guiados essencialmente pelo exemplo doméstico: a felicidade do casal se estende aos filhos.

Filhos que convivem em um ambiente de concórdia e carinho tenderão a buscar parceiros sentimentais com os quais afinam bem e possam constituir vínculos similares ao que assistiram em casa. E terão filhos parecidos com eles, com seus avós e assim por diante.

Assim se constrói uma saga fundada em bons resultados profissionais e humanos, onde as pessoas conseguem usufruir da máxima felicidade cabível a nós, humanos, sempre sujeitos a todos os tipos de intempéries, contrariedades e doenças.

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  • André Rodrigues Costa Oliveira

    Caro dr. Flávio, a situação acima beira a utopia. O que se percebe em cotidiano é a existência de relacionamentos cada vez mais individualizados, nós quais os casais são distantes, frustrados porque perceberam que não deveriam ter optado pelo casamento e que fingem uma harmonia hipócrita, por acomodação, questões financeiras e, o que é pior, pela manutenção do status quo de estarem casados. A típica família feliz que existe em adesivos bobinhos nos carros, nós quais até o cachorro entra. Att. André Costa Okiveira