Algumas previsões para 2030

Por em 23/03/2015

Fazer previsões é sempre difícil e perigoso; isso porque avanços tecnológicos inesperados podem alterar nosso habitat e nós, seres interativos, teremos que nos adaptar a isso. Porém, minha impressão é a de que os maiores avanços qualitativos foram feitos ao longo dos últimos 25 anos; de lá para cá temos visto aprimoramentos, facilitação do uso da internet em celulares e talvez ainda vejamos alguns outros.

A grande “revolução” tecnológica foi a chegada da telefonia móvel e da internet enquanto que a grande revolução no plano humano foi a descoberta das pílulas anticoncepcionais de uso e controle feminino, assim como a enorme ascensão delas no mundo do trabalho.

Quais as consequências imediatas dos avanços? Uma enorme melhora na qualidade de vida das pessoas sozinhas propiciada pela facilidade de entretenimento individual e enormes avanços nos equipamentos elétricos de uso doméstico. Assim, o individualismo – o gosto das pessoas por viver segundo seus próprios valores sem disposição para grandes concessões – não poderia deixar de ter crescido. Não acho interessante pensarmos nesse avanço de modo negativo, pois corresponde a um passo adiante na direção das pessoas conseguirem se perceber como adultos independentes.

O crescimento do individualismo e o fim dos preconceitos sociais quanto ao estilo de vida das pessoas solteiras ou divorciadas tem feito aumentar o número daqueles que preferem essa condição. Os imóveis de dimensões menores são os mais construídos e vendidos em cidades grandes como São Paulo. O entretenimento doméstico e a possibilidade de comunicação fácil pela via virtual só têm crescido, incluindo-se aqui a busca para parcerias eróticas ou sentimentais. Aqueles que não gostam de boemia, não bebem e não são notívagos preferem tentar encontrar amigos e futuros amores pela internet. O caminho é legítimo, permite que se conheça as pessoas antes “de dentro para fora”, ao contrário do que acontece no mundo real.

Uma das características do mundo que está nascendo é, a meu ver, que deixaremos de considerar como relevantes as diferenças entre o real e o virtual, sendo que esse último caminho só tende a crescer até mesmo porque a locomoção em grandes centros só tem se tornado mais difícil.

A tendência será na direção da vida solitária? Não é a minha impressão, a não ser como uma fase na vida das pessoas. Agora, como a qualidade da vida de solteiro só tem melhorado, os maus casamentos tenderão a desaparecer. A “nota de corte” será aquela que usufruem as pessoas descomprometidas. Em outras palavras, as relações amorosas de boa qualidade, aquelas que respeitam a individualidade das pessoas e que se baseiam em afinidades de caráter, interesses, gostos e projetos de vida, serão as que terão condições de oferecer uma qualidade de vida superior à dos solteiros. Elas, e só elas, sobreviverão. Elas correspondem ao novo tipo de elo romântico do século XXI, em muitos aspectos similar aos de amizade, e que tenho chamado de +amor.

Outra característica que tenderá a crescer daqui para a frente tem a ver com o aumento do tempo livre das pessoas. O trabalho será cada vez mais escasso e a única saída será a diminuição do número de horas dos trabalhadores – assim como o aumento da idade de aposentadoria, já que a vida média só tem crescido. O tempo livre dos casais também tem aumentado já que eles têm tido cada vez menos filhos (média de 1,8 por mulher em nosso país e 1,3 na Alemanha). O tempo livre pode ser uma dádiva para aqueles que souberem aproveitá-lo bem em atividades lúdicas ligadas a práticas esportivas, culturais, convívio com amigos e cultivo de hobbies de todo o tipo. O perigo, para os que não se acautelarem, será uma crescente tendência para o uso de drogas, lícitas ou ilícitas, capazes de atenuar o tédio dos desocupados.

Um aspecto que tem chamado pouco a atenção dos observadores, mas que eu considero extremamente relevante, será a tendência à diminuição da importância que as pessoas atribuirão ao aspecto erótico e às suas práticas sexuais. O interesse dos jovens pelo assunto, de acordo com minhas observações, só tem diminuído. Fala-se pouco do tema e a impressão que eu tenho é que a relevância que o sexo teve para as gerações passadas tem a ver mesmo é com o fato do tema ter sido cercado de tabus, proibições e limitações de todo o tipo. Num contexto de fartura, parece que o interesse imediatamente diminui! Se for fato que o sexo venha a perder importância, é provável que o consumo de roupas e outros adornos direta ou indiretamente relacionados com o erótico também venha a diminuir; e se isso se confirmar, estaremos diante de uma nova fase da vida social.

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  • SOPHIA

    concordo plenamente;eu penso igual.****

  • Binho Vianna

    Só discordo que os imóveis diminuirão de tamanho devido a predileção pela solteirice.
    A internet fez as pessoas fazerem cada vez mais parte de alguma “tribo”, até mesmo por divergências com a maioria, e isso vai acabar sendo transferido para o mundo material através de comunidades ou estabelecimento que comportem os envolvidos que se sentem bem melhor entre eles do que com o mundo em geral.
    Além do mais o custo de vida só aumenta fazendo com que as pessoas, principalmente solteiras, dividam as despesas de moradia. A coisa mais próxima disso hoje, é uma república de estudantes, mas cada qual com seu cômodo privativo.