Entrevista para A Gazeta: Facebook não traz felicidade!

Ao interpretar ele mesmo na novela “Passione”, como o terapeuta do personagem Gerson (vivido por Marcello Antony), o médico psiquiatra, psicoterapeuta e conferencista ficou conhecido em todo o Brasil. 

Apresentador do programa “No Divã do Gikovate”, transmitido na rádio CBN ao domingos, às 21 horas, Gikovate tem mais de 50 mil seguidores no Twitter, foi colunista de importantes jornais e revistas e publicou mais de 20 livros, sobre os mais diversos assuntos.

Nesta entrevista, o médico alerta para o mal que as redes sociais podem provocar nos usuários ao criar a ilusão de que a vida postada pelos “amigos” é a verdadeira.

As redes sociais têm algum aspecto positivo?

O Facebook, assim como todos os novos equipamentos que nos permitem acesso ao mundo “virtual”, tem aspectos positivos e negativos. Permite que se reencontrem personagens relevantes do nosso passado e o conhecimento de novos “amigos” que poderão vir a ser verdadeiros parceiros sentimentais.

Por que, então, o Facebook não traz felicidade?

O Facebook tem um caráter exibicionista, em que as pessoas postam fotos e descrevem situações ideais, de férias, de pratos deliciosos que estão comendo em locais privilegiados e coisas do gênero, que são capazes de despertar admiração e inveja em quem não está vivenciando aquela situação por falta de tempo ou por falta de meios materiais. O Facebook é um local de um exibicionismo grosseiro e que está a serviço de uma autopromoção um tanto patética.

O senhor afirmou em entrevistas que o Facebook é palco de autoerotismo e exibição? Por quê?

Assim como na vida real, no universo virtual deveríamos ser cuidadosos ao nos exibirmos. Isso pode indicar apenas o desejo de despertar a inveja dos que estão nos observando, o que é uma óbvia manifestação agressiva e maldosa. Acho fundamental compreender que o mundo virtual se distingue muito pouco do real: um é a representação do outro.

Qual seria o maior prejuízo da nossa participação nas redes sociais?

O de estimular indevidos sentimentos de inferioridade, já que as pessoas exibem momentos especiais de suas vidas, que não têm nada a ver com o cotidiano delas. Revistas no estilo de “Caras” fazem a mesma coisa. Zigmund Bauman, um sociólogo polonês radicado na Inglaterra, afirma que o Facebook é uma espécie de revista “Caras” individual, onde a pessoa comum se exibe da mesma forma que fazem as celebridades nas revistas impressas. Acho que ele tem razão.

Seria melhor não usar as redes sociais?

É claro que elas devem ser usadas, mas com as devidas reservas. Trata-se de local de intercâmbio de informações, de busca de aproximação com pessoas com as quais se tem afinidades, novas parcerias sentimentais, de amizade e trocas de todo o tipo.

Como seria, então, a melhor forma de usar essas redes sociais?

O que deve ser evitado é o excesso de dois tipos. O primeiro é renúncia à vida real para viver só por conta do que acontece no Facebook. Existem pessoas quase que viciadas nesse tipo de convívio. O segundo excesso seria o exibicionismo grosseiro e agressivo, em que o objetivo é se destacar provocando a inveja dos supostos “amigos”.

Por que tanto interesse pela vida alheia?

A curiosidade pelo que acontece com as outras pessoas sempre existiu: no passado, as pessoas ficavam com cadeiras na porta de suas casas para saber como viviam seus vizinhos! Todos leem com interesse as páginas policiais para saberem dos crimes e assaltos. Todos querem saber como vivem as outras pessoas, talvez até para terem alguma ideia interessante a ser copiada para a própria vida.

Então, esta é uma curiosidade natural?

Nada de mais natural do que querer saber da vida das outras pessoas. O que é grave, que deve ser evitado, é viver criticando modos de ser e de viver que sejam diferentes dos nossos.

Renata Lacerda
rlacerda@redegazeta.com.br

Fonte: A Gazeta

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