Gikovate defende mundo unissex e sem preconceitos

Para Gikovate, as pessoas devem ser orientadas pelo amor, e não só pelo desejo

Para Gikovate, as pessoas devem ser orientadas pelo amor, e não só pelo desejo

Um livro contra qualquer tipo de preconceito. É assim que o médico psiquiatra Flávio Gikovate define seu novo livro, “Sexualidade sem fronteiras”. Autor de mais de 30 livros, terapeuta e apresentador do programa “No Divã do Gikovate”, da rádio CBN, Gikovate defende que o ideal seria apenas falar de sexualidade, pondo fim ao uso dos termos hétero, homo ou bissexual.

Preconceito

É um livro, antes de tudo, contra o preconceito, qualquer tipo de preconceito. É impressionante como as questões sexuais ainda mobilizam preconceitos de toda ordem. Hoje vejo que até os homossexuais possuem preconceito contra heterossexuais.

Sexualidade

Sou contra a ideia de se ter um compromisso definitivo com determinado comportamento sexual. Ele deveria ser orientado pela vida sentimental e não pelo desejo. O desejo é uma visão masculina e machista do sexo. O desejo é algo que se sente por um objeto externo que se quer agarrar. É uma postura do macho reprodutor. O desejo é mais orientado pela agressividade que pelo amor.

Sociedade

Essa agressividade é de toda a sociedade, que reforça isso. O menino “bom” é o machinho, que briga e que tem várias namoradas. O menino mais sentimental, ligado a artes, por exemplo, é motivo de chacota, vítima de bullying. E quando ele apanha, o pai diz que deveria bater de volta. Esse menino cresce com raiva. O machão tem desejo por mulher, mas gosta mesmo é de ficar no bar com outros homens, falando mal da mulher, de maneira agressiva e desrespeitosa.

Bullying

Para mim, a questão mais importante que abordo no livro é o bullying. Os tipos fora do padrão são objeto de humilhação. A sociedade e até mesmo os pais reforçam o agressor, dizendo que “tem medo de que o filho vire gay”. Temos que deixar o menino ser como ele quer para acabar com essa relação entre sexo e agressividade. Deixá-lo ser sensível, delicado e não incentivá-lo a ser o ‘machinho’. Seu filho pode ser homem e ser amoroso.

Mulheres

As mulheres são menos orientadas pelo desejo. Elas têm vontade, que é diferente. Por isso elas têm menos objeto de preconceito, são menos agressivas. As mulheres, de maneira geral, convivem bem com homens e mulheres, brincam mais, trocam mais carícias. Por isso também é mais comum a mulher “trocar de turma”, se casarem com um homem e, mais tarde, se apaixonarem por mulheres.

Rótulos

Esses rótulos não fazem muito sentido. Os heterossexuais, quando não têm mulher, como em uma guerra, transam com homem e não veem problema nisso. Mas se tem mulher disponível e eles transam com um homem, são gays. Os travestis que trabalham na noite têm como maioria da sua clientela homens heterossexuais e que, muitas vezes, são passivos. Há muito preconceito sobre a região anal dos homens, que é extremamente sensível e excitante, mesmo para os héteros, por causa do estímulo à próstata. É uma questão física, não é uma questão de homossexualidade.

Mudanças

O mundo mudou na direção do romantismo e não do erotismo que era tão forte nos anos 80. O pleito dos homossexuais é por romance, pelo casamento. Hoje as mulheres estão mais liberadas, mais independentes, ocupando mais espaço. As mulheres de hoje já cresceram podendo jogar bola, mas os meninos ainda não podem brincar de boneca.

Mundo unissex

A gente precisa parar com essa ideia de orientação pelo desejo sexual. Temos que ser orientados pelo amor. Deveríamos ser um mundo unissex governado pelo amor, sem preconceitos e sem essa guerra entre os sexos. As pessoas devem se completar sexualmente de acordo com seu encantamento amoroso. No fundo, já é isso o que acontece por baixo dos panos. Todo ser é sexuado. Sexualidade sem fronteiras é melhor que usar as definições de hétero, homo ou bi.

Livro
Sexualidade sem fronteiras
– Autor: Flávio Gikovate
– Editora:MG Editores
– Páginas: 136
– Preço: R$ 37,60

Fonte: A Gazeta

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  • Gilza Araujo Araujo

    muito bem Flávio sempre abrindo as mentes das pessoas com elegância e conhecimento.

  • Fernando Araújo Bagno da Silva

    Conheci o blog ontem e desde a hora que entrei continuo lendo todos os posts. A sexualidade sempre foi algo que tenho interesse em estudar e agora me interessei pelo livro, procurarei. Obrigado!

  • SOPHIA

    “Todo PREconceito é burro.”,por motivos óbvios.
    Parabéns Doctor!