O Desejo Sexual Não Acaba, Apenas Muda

É comum ouvir dizer que, depois de alguns anos, a vida sexual dos casais se torna extremamente tediosa e repetitiva. A freqüência das relações costuma diminuir, regredindo para um encontro físico por semana, no qual as pessoas cumprem o “dever conjugal” ou “batem o ponto” – linguagem derivada da atitude displicente que têm alguns funcionários públicos. Muitos homens completam seus anseios sexuais pelo contato com outras mulheres que não as esposas. E existem mulheres que também agem desta maneira. Mas a maior parte delas se acomoda à situação, achando que “a vida é assim mesmo” e se voltando para interesses diferentes, principalmente para os filhos.

Costuma-se dizer que o desejo sexual é volúvel e transitório: alimenta-se da novidade e depende muito da conquista, de modo que o que já foi conquistado perde quase totalmente a graça. Em parte, isso é verdade. Mas a experiência nos ensina também que existe um bom número de casais que mantém uma vida sexual rica, excitante e divertida por vinte, trinta, quarenta anos seguidos. O fundamental é tentar entender por que isso acontece e extrair daí algumas lições úteis para que a maioria das pessoas possa desfrutar das delícias eróticas por toda a vida.

Mais importante do que saber por que o desejo desaparece em tantos casais é entender as razões pelas quais ele permanece em outros. Quero me referir apenas aos “bons casamentos” – aqueles em que há uma dose decente de afeição recíproca e, principalmente, uma atitude mútua de respeito e consideração. Sim, porque nos “maus casamentos” a vida sexual tende a se esvaziar por razões sentimentais. Um homem ou uma mulher que se sinta sempre humilhado(a) e rejeitado(a), ou que seja tratado(a) com grosseria e autoritarismo, tem o “dever” de desenvolver uma aversão física pelo(a) agressor(a). Na maioria dos casos, é isso o que ocorre e, não raramente, é o início do fim do casamento. Existe uma exceção: aquela na qual o agressor – um homem ou uma mulher – pode provocar permanentemente a incerteza e o ciúme do parceiro. E o ciúme é um poderoso afrodisíaco, pois mobiliza inseguranças pessoais e tendências competitivas e de disputa. Ninguém quer se mostrar menos competente que um eventual rival.

A minha impressão é a de que o fator erótico que se alimenta de novidades e se cansa com a repetição é unicamente o que deriva da excitação visual do homem. O rapaz se casa e, no início da convivência, pode ficar excitado apenas ao ver sua mulher nua. Isto é coisa que costuma desaparecer logo, muito antes dos sinais de envelhecimento físico da companheira, não estando associado a esse fato. Aliás, a importância da visão, como elemento de excitação masculina, diminui com o passar do anos, até mesmo em relação às outras mulheres que não as próprias esposas. A excitação vai se tornando mais dependente dos carinhos e do toque. Quer dizer que o aspecto tátil se torna cada vez mais influente. Na mulher é assim desde o início da vida adulta. Ela se excita ao se perceber desejada e, principalmente, ao ser acariciada de um modo adequado.

É preciso, portanto, que os próprios homens saibam que o que está acontecendo é absolutamente normal. Do contrário, eles terão a impressão de que já não têm mais o mesmo interesse pela esposa, o que não é verdadeiro. Eles necessitam agora, exatamente como as mulheres, de mais agrados e carícias físicas para terem excitação sexual. Depois que surge a ereção, tudo ocorre como no passado. Claro, desde que a vida em comum seja de razoável entendimento e consideração mútua.

O desejo não se esvai, ele se modifica. Deixa de ser visual e se torna essencialmente tátil. A mulher deve entender que isso não significa que ela está sendo menos amada – apenas não desperta mais aquele impacto visual que ainda ocasiona nos outros homens. E não adianta nada trocar de marido. A história se repetirá com o próximo. Às vezes, eu penso que, com o passar dos anos, a visão vai sendo substituída pela imaginação e pelo prazer que se tem ao perceber o parceiro tão participante durante as intimidades eróticas.

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