O Exemplo dos Grupos de Auto-Ajuda

Os agrupamentos de pessoas com problemas em comum têm proliferado. Como regra, gostamos de conviver com os outros. Muitas vezes, o intuito é apenas o de olhar e de ser olhado, o que faz bem à nossa vaidade – sempre mais presente e importante do que pensamos. Precisamos de companhia também para atividades grupais, como esportes coletivos e jogos de cartas. Nesses casos, freqüentamos os clubes.

O curioso é o fato de as pessoas se aproximarem para discutir algum problema – objetivo ou subjetivo – que tenham em comum. O precursor desse movimento foi o Alcoólicos Anônimos. Dependentes de álcool se unem e tentam entender o que se passa com eles, buscando com quem padece da mesma dificuldade força e motivação para atingir a difícil meta de parar de beber.

Com os grupos de AA (como são chamados) aprendemos muito. Nós, os médicos, que costumamos nos achar detentores de todo o saber, acabamos percebendo que, por vezes, os que conhecem melhor os meandros de um estado são aqueles que o vivenciam e sentem as coisas na própria alma. Os resultados concretos do AA são bem mais satisfatórios do que os obtidos com as internações psiquiátricas.

Não estou desprezando a importância dos que detêm o saber ou o poder. Mas é maravilhoso quando os próprios envolvidos em alguma dificuldade se juntam para aprender uns com os outros. É a renúncia a um paternalismo ao qual fomos acostumados. É um processo renovador e importante, pois leva as pessoas a assumir a responsabilidade por suas questões e também a lutar para encontrar as respostas às suas dificuldades.

Os grupos de auto-ajuda têm crescido muito nas áreas práticas. As viúvas das vítimas de um acidente aéreo tratam juntas dos seus interesses. O mesmo acontece com os mutuários de uma construtora que passa por problemas financeiros e não entrega os imóveis já pagos. Esses são apenas exemplos do que pode – e deve – se transformar em rotina. Não é diferente o que tem acontecido em vários setores da saúde. Portadores de tumores se aproximam para discutir como é viver quando se tem uma doença grave. O beneficio que eles obtêm desses encontros é inestimável, mesmo nos casos em que não esteja presente algum profissional de psicologia – todos os médicos e paramédicos podem e devem ser treinados para conduzir esse tipo de encontro, no qual o “trabalho” é feito mesmo pelos pacientes.

Casais enfrentando os conflitos mais freqüentes, próprios da vida em comum, podem se encontrar por meio da observação de outros pares que manifestam dificuldades semelhantes. A simples percepção de que nossos problemas não são tão originais assim já nos é profundamente aconchegante. Nós nos sentimos amparados quando nos integramos em algum grupo, quando estamos à vontade para falar de nossos problemas e fraquezas, sendo aceitos e não julgados. Se os problemas são idênticos, não há ninguém em condições de julgar! E isso é ótimo. A verdade é que a “cura” por meio de palavras, a essência das psicoterapias, poderá se estender a várias outras situações, todas elas partindo do mesmo princípio.

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  • Angelina

    Preciso parar de beber urgente..
    Pois toda vez q bebo, n sei pq , fico com remorso e passo horas pensando se fiz algo inconveniente enquanto bebia, e isso me deixa muito mal.. Falo p mim mesmo q n irei mais beber, mas quando aproxima fim de semana, la estou novamente bebendo.. Sinto falta, tudo bem q relaxa e esqueço os problemas, mas ai vem a ressaca e pensamentos negativos no dia seguinte, e acabam comigo.. Quero acabar com esse vicio, e tentar ser feliz sem ele.. Mas n to conseguindo,.