O Medo de Ter um Filho Gay

O menino não é de briga, é carinhoso e afetivo. O pai teme que ele seja gay. E só piora tudo. Como lidar com isso?

O homem é o autor da maior parte das confusões mentais que lhe provocam sofrimento. E a questão da homossexualidade é um bom exemplo disso.

Para impressionar e dominar as mulheres, os homens construíram um padrão de masculinidade incrivelmente exigente: se proíbem de sentir medo, pena, ternura. Perdem a liberdade de exercer sua vaidade e não podem ter nenhum tipo de dificuldade sexual. Depois, não conseguem seguir o padrão que eles próprios inventaram. Pelo menos é o que ocorre com a maioria. Corroídos pelos sentimentos de inferioridade, têm dois caminhos a seguir: fingir que são machões ou aceitar que não são mesmo capazes de viver o papel programado.

Na hora de escolher entre os dois caminhos, a grande maioria opta pelo primeiro. Desiste de ficar bem intimamente e gasta toda sua energia tentando mostrar aos outros que se sente um machão completo, adotando exagerados padrões de conduta.

Por exemplo, espera-se que o menino não fuja das brigas, que seja competente em todas as situações agressivas, próprias das brincadeiras infantis masculinas. Aquele que está fingindo, não apenas vai participar das brigas, mas tenderá a ser o provocador, que demonstra gostar de lutas e de ser o vencedor.

Quando crescer, será do tipo paquerador e não perderá uma chance de contar aos amigos todas as suas aventuras e conquistas eróticas. Esse, coitado, jamais será um romântico. Ficará limitado a tentar seduzir as mulheres, ir com elas para a cama e se mostrar competente na hora do amor. Mas apenas para ter o que contar aos amigos.

Já o menino que não acha graça na violência física ou que sente muito medo nessas situações, vê-se diante de uma situação complicada. Principalmente se resolve assumir que não gosta desse tipo de comportamento.

Em primeiro lugar, é a própria família que não o aceita. Muitas vezes é filho de pai violento e o medo exagerado surge do convívio com ele (o pai quer ensiná-lo a não fugir de brigas, pois é assim que o macho deve ser). E o menino se sente cada vez menos macho. Se a mãe for mais meiga, poderá gostar de ser como ela, identificando-se melhor com suas atividades, voltadas mais para gestos de carinho do que de luta.

Se prefere brincar com bonecas e ajudar a mãe nas tarefas domésticas, o menino começa a se achar distante do modelo masculino. Vai se reconhecendo cada vez mais feminino, por combinar com o modo de ser das mulheres. Logo, foi um engano ter nascido homem e vai construindo sua cabeça na direção da homossexualidade, pois é assim que as pessoas veem um menino com essas atitudes.

Os pais se preocupam e isso o faz se sentir diferente, anormal. Os demais meninos fazem brincadeiras e piadas maldosas. Tudo isso vai consolidando suas convicções de que não poderá ser um homem normal. Resultado? Chega à adolescência riquíssimo em inseguranças e quase convencido de que não tem outro caminho a não ser o da homossexualidade.

A situação se complica quando tem de enfrentar a primeira relação sexual. Se tentar, possivelmente será reprovado. Pronto. Não há mais dúvidas. Não é mesmo homem e seu destino sexual está definido.

Seguindo essa linha de pensamento, é fácil compreender por que justamente os homens mais meigos, mais emotivos, mais inteligentes são os que tendem para a homossexualidade. Porque são eles os que têm maior dificuldade em aderir ao grosseiro padrão de masculinidade que, felizmente, está começando a mudar. Serão justamente os melhores homens aqueles que terão mais dificuldade em agir de acordo com o que se exige dos machos. E isso é uma triste conclusão.

Os que não evoluírem na direção homossexual poderão sofrer outros tipos de dificuldades. Especialmente no que diz respeito à vida sexual. Terão ejaculação precoce, crises de impotência, enfim, sérios problemas de relacionamento.

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