Traição Fatal

Lendo uma reportagem da revista Veja, publicada há tempos, sobre mulheres que pegaram aids dos próprios maridos, fiquei impressionado com a inconseqüência, a onipotência e o desrespeito que alguns homens têm diante de suas companheiras. Quando se começa um relacionamento com alguém, se estabelece naturalmente um código de princípios a ser respeitado, principalmente em épocas de doenças transmissíveis e perigosas. Inclusive porque ninguém é obrigado a formar um vínculo ou ficar preso a ele se não quiser.

“É um gesto de confiança, um acordo de que os dois vão se responsabilizar um pelo futuro do outro, e os dois pelo futuro dos filhos…” , escreveu a revista. A base estrutural de uma relação é a confiança. Quando ela se rompe, a dor é muito forte, fazendo grandes estragos internos em quem foi traído e na própria relação. Imaginem a traição seguida de morte: a infidelidade destrói o ego e a aids, o corpo.

Acredito que os homens possuem o direito de ter suas preferências e desejos sexuais, mas este direito termina quando colocam em risco suas companheiras. Por isso mesmo, eles podem optar por ficar sozinhos e viver tudo o que quiserem. Na realidade, os homens acham que podem ter um pouco de tudo: o casamento, a segurança do lar, os filhos, a mulher fiel e o ambiente familiar, além de aventuras heterossexuais e/ou homossexuais na rua.

Por imaturidade e onipotência, alguns homens acreditam que são imunes às doenças de risco, principalmente depois de uns goles de uísque. Certos pais agem como seus filhos adolescentes, que não medem conseqüências.

Para quem não consegue evitar sexo extraconjugal sem proteção: faça um tratamento psicoterápico. Seja para assumir sozinho seus desejos sexuais, correndo os próprios riscos, seja para entender suas origens, abandonando as fantasias arriscadas.

Hoje vive-se na era dos direitos humanos, na qual assumir desejos sexuais incomuns não é tão aterrorizante. O terror está em escolher a mulher como cúmplice, sem pedir-lhe autorização. Gostaria de saber que homem, no lugar de sua companheira, depois de saber de tudo, ainda cuidaria dela até a morte, como é o caso de algumas mulheres que deram depoimento à revista.

Infelizmente, em um país de ignorantes no assunto, o preconceito e a desinformação ainda levam as mulheres contaminadas a sofrer discriminação social e ficar isoladas de sua própria família. Elas – como muitas outras que ainda virão – sofrerão a dor da traição, o risco de vida e a segregação social e/ou familiar.

Peço para que os homens pensem em tudo isso antes de viver suas fantasias. E acreditem: pode acontecer com vocês. Os tratamentos ainda não são eficazes para esta doença; por isso, o único jeito é prevenir. Use camisinha!!!

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