Dr. Flávio Gikovate

Mudar é Difícil

Muitas pessoas dizem querer mudar, mas é só da boca para fora. Algumas se satisfazem em pensar e falar que “todo o mundo tem defeitos; eu também tenho os meus” como se isso as desobrigassem de batalhar para deixar de tê-los. A verdade é que as mudanças exigem grande determinação e disciplina, além de que o usual é que a pessoa tenha que passar por um período de privações ou de algum tipo de sofrimento e renúncia.

Os que desenvolveram certas fobias, medos irracionais que as impedem de andar em elevadores, aviões, transitar por estradas lotadas sem saídas colaterais, ir a eventos públicos onde há muita gente etc. certamente desejam se livrar delas. O entendimento das razões que as levaram a desenvolver esses medos não será suficiente para que se livrem deles: terão que enfrentá-los! Terão que passar pela difícil experiência de vivenciá-los, condição em que serão capazes de perceber que suas forças são maiores que os medos. Isso aumenta muito a autoestima daqueles que aceitam se submeter a esse sofrimento, de modo que costumam ocorrer vários outros avanços e benefícios pessoais derivados da vivência bem sucedida.

Muitas compulsões e vícios são difíceis de serem abandonados, uma vez que produzem importantes ganhos. No caso das compulsões, os benefícios costumam estar associados à redução da ansiedade e não raramente se acompanham de malefícios de monta. Os que desenvolveram o hábito de roer as unhas experimentam alívio da ansiedade ao repetir compulsivamente esse ritual em situações mais nervosas. O mesmo vale para os que aliviam suas tensões com chocolates ou outros alimentos em quantidade desnecessária. Nesse segundo caso, os malefícios são maiores e óbvios: engordam e isso os deprimem, o que gera uma tensão que pede mais alimentos. Os círculos viciosos são fáceis de serem diagnosticados e dificílimos de serem abandonados. Só mesmo graças a um claro entendimento e ao uso de todo o seu vigor intelectual que uma pessoa será capaz de superar esses hábitos arraigados e que pavimentam roteiros estáveis em nosso sistema nervoso, roteiros esses que tendem a se repetir com facilidade em qualquer momento de distração.

Se é dificílimo se livrar das compulsões, o que dizer dos vícios, processos em que os benefícios são intensos no curto prazo e os prejuízos só aparecerão mais adiante? Renunciar a um prazer imediato em benefício de um futuro melhor é propriedade típica das criaturas mais amadurecidas. Elas são capazes de obstinar e parar de fumar cigarros, de usar bebidas alcoólicas caso percebam que estão se prejudicando com isso; o mesmo vale para o uso de outras drogas, dos jogos de azar, do consumismo compulsivo etc.

Não é nada fácil aprender a dizer “não” mesmo quando esse é o melhor procedimento em todos os sentidos: para proteger os direitos legítimos de quem nega, para impedir o oportunismo de algum interlocutor, para educar os filhos dentro de limites que se considere os mais adequados. Se recusar a dar ou a fazer algo que desagrada ou trará malefícios a quem recebe é dever das pessoas do bem; porém, muitas são as que, por pena ou culpa, têm dificuldade em agir assim mesmo quando sabem de seu equívoco. Isso nos mostra mais uma de nossas facetas: temos divisões internas, partes que agem de acordo com determinados padrões e outras que, caso fossem majoritárias, agiriam de forma diferente. Parece mesmo que somos dotados de dois níveis diferentes de consciência, uma mais respeitadora dos valores oficiais da cultura e outra mais voltada para nossas mais íntimas e sinceras convicções. Não é raro que uma dessas consciências também seja fortemente influenciada por emoções, como as que já citei até aqui, quais sejam, o medo, a piedade, a culpa, além desses mecanismos neurológicos que tendem a perpetuar comportamentos que nem sempre estão em concordância com o que é melhor para nosso futuro.

É difícil para o generoso deixar de dar tanto e aprender a receber na mesma medida; é mais difícil ainda o egoísta conseguir crescer e se tornar autossuficiente, condição necessária para que possa abandonar as posturas através das quais precisa receber mais do que dá. É difícil para um homem superar suas dificuldades sexuais, especialmente porque a preocupação com o próprio desempenho acaba por gerar uma ansiedade associada ao encontro erótico, de modo que o que poderia ser extremamente agradável pode se tornar algo tormentoso. E assim por diante.

Tudo é difícil, mas possível. Tudo depende da força e determinação de quem efetivamente deseja se modificar. Quase sempre convém lançar mão de recursos terapêuticos disponíveis para aqueles que, menos arrogantes, aceitam receber a ajuda de quem conhece melhor os roteiros a serem percorridos no processo de se livrar das dificuldades que não são parte inevitável de nossa maneira de ser.

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Educar é preparar para a vida

- Superprotegendo os filhos, nós impedimos que eles desenvolvam os meios necessários para se manter sobre as suas próprias pernas.

Um dos filmes mais bonitos e comoventes dos últimos anos, Cinema Paradiso, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Foi um grande sucesso de bilheteria em muitos países e também no nosso. Quase todas as pessoas que Continue Lendo →

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Como definir maturidade emocional?

Penso que a maturidade emocional se caracteriza pelo atingimento de um estado evolutivo no qual nos tornamos mais competentes para lidar com as dificuldades da vida e por isso mesmo com maior disponibilidade para usufruir de seus aspectos lúdicos e agradáveis.

Talvez a principal característica da pessoa madura esteja relacionada com o desenvolvimento de uma boa tolerância às inevitáveis frustrações e contrariedades a que todos nós estamos sujeitos. Tolerar bem frustrações não significa não sofrer com elas e muito menos não tratar de evita-las. A boa tolerância às dores da vida implica certa docilidade, capacidade de absorver os golpes e mais ou menos rapidamente se livrar da tristeza ou ressentimento que possa ter sido causado por aquilo que nos contrariou. Continue Lendo →

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Hábitos, Compulsões e Vícios

Falta muito para que possamos dizer que conhecemos os detalhes do funcionamento do psiquismo humano. O que é fato é que uma boa parte das nossas ações parecem governadas por um “piloto automático”: em muitos casos, agimos de forma automática; e reagimos a determinadas situações sem que necessitemos pensar acerca do que fazer.

Os movimentos que fazemos ao dirigir o carro são todos sincronizados e não exigem reflexão, assim como as reações que temos diante de um problema inesperado no meio do percurso que estamos realizando. Muitas vezes só nos conscientizamos de algo depois do ocorrido, como se, diante do susto, o piloto automático tivesse se desligado! Fazemos o mesmo ao escovar os dentes, ao nos movimentarmos durante o banho, Continue Lendo →

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O que é o homem sexualmente livre?

31 de julho de 2014 por Flávio Gikovate | 0 comentários

As pessoas pensam que o homem sexualmente livre é aquele garanhão que tem acesso com facilidade a todas as mulheres, que é ousado na paquera, sem medo de fracasso sexual ou, vulgarmente falando, que é o macho alfa, dominando o território e afastando dali outros machos…

Penso que o homem com liberdade sexual é aquele indivíduo que fica sereno com sua própria natureza, desobrigado a seguir padrões coletivos.

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Muitos homens têm medo de mulheres fortes

A grande maioria dos homens só se sente confortável ao lado de uma mulher que eles consideram mais fracas – ou menos – do que eles. Os critérios para esta avaliação são subjetivos e dependem da hierarquia de cada um.

A maioria gosta de ter controle financeiro sobre as suas mulheres, condição na qual sentem menos medo de serem abandonados. Muitos gostam de se sentir mais inteligentes, Continue Lendo →

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O que é exatamente a Psicoterapia?

14 de julho de 2014 por Flávio Gikovate | 0 comentários

A psicoterapia é um termo genérico que engloba todos os tipos de tratamentos que visam ajudar as pessoas a se curarem de algum desconforto através do uso da palavra.

A primeira forma e a mais conhecida foi a Psicanálise, invenção genial de Freud do início do século XX, que mostrou-se uma estratégia ambiciosa e de relativa eficácia, até mesmo devido à sua morosidade e custos envolvidos, passando a ser substituída por outras técnicas de seus dissidentes.

Hoje, as técnicas caminham e têm convergido mais para formas breves de psicoterapia dinâmica, com uma matriz na psicanálise, e um outro grupo de técnicas que se chamam de terapias cognitivo-comportamentais.

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Café de Ideias 2013 – Palestra: Sexualidade sem fronteiras

17 de abril de 2013 por Flávio Gikovate | 1 Comentário

Evento: Café de Ideias 2013

Palestra: Sexualidade sem fronteiras

Realizada no Centro Cultural Oscar Niemeyer no dia 5 de abril de 2013, em Goiânia

Embora no século XX o surgimento da psicanálise e a revolução sexual tenham contribuído para aumentar as discussões em torno da sexualidade, poucos avanços ocorreram de fato nesse campo da existência humana. Preocupados com o desempenho; o número de relações sexuais por semana; a quantidade de orgasmos; a competência; a exuberância; homens e mulheres se perderam. Regras, dicas e normas se acumulam sem que percebamos que liberdade e obrigação definitivamente não combinam.

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Palestra Sexualidade Sem Fronteiras

8 de agosto de 2013 por Flávio Gikovate | 1 Comentário

Embora no século XX o surgimento da psicanálise e a revolução sexual tenham contribuído para aumentar as discussões em torno da sexualidade, poucos avanços ocorreram de fato nesse campo da existência humana.

Preocupados com o desempenho; o número de relações sexuais por semana; a quantidade de orgasmos; a competência; a exuberância; homens e mulheres se perderam.

Regras, dicas e normas se acumulam sem que percebamos que liberdade e obrigação definitivamente não combinam quando o assunto é sexo.

No livro Sexualidade sem fronteiras, lançamento da MG Editores, Flávio Gikovate propõe um novo paradigma no que se refere à sexualidade.

O primeiro passo é entender que o caráter lúdico do erotismo desvincula o sexo do compromisso social. É o clima lúdico que deve prevalecer nas relações sexuais.

Cada um de nós deve escolher e vivenciar os tipos de carícia — consentida — que mais lhe agradarem; cada um de nós deve ser livre para (re)direcionar nossos interesses eróticos da forma como bem nos aprouver.

Só assim os rótulos se tornarão descabidos e desnecessários, e em vez de falarmos em hétero, homo, bissexualidade etc. falaremos em sexualidade — e sem fronteiras.

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Ser, Ter, Parecer, Aparecer

Em 1976, Erich Fromm publicou um livro cujo título, “Ter ou Ser”, indicava que estava em curso uma mudança fundamental. As alterações nos valores culturais acompanham, em geral com certo atraso, as que acontecem no plano dos avanços da tecnologia – especialmente quando eles estão diretamente ligados ao cotidiano da maioria dos cidadãos. Nosso “habitat” vem mudando drasticamente principalmente a partir da II Grande Guerra. Nós, humanos, interferimos continuadamente sobre o ambiente que nos cerca; depois temos que nos adaptar às mudanças que nós mesmos provocamos. Por vezes, levamos um susto com o que nos acontece, como se não fôssemos nós os causadores de tudo! Continue Lendo →

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O consumismo da elite é desespero – Revista Época Negócios

“O consumismo da elite é desespero”

O psiquiatra Flávio Gikovate fala sobre as angústias da elite que frequenta seu consultório e o estresse do mundo moderno


9 mil pacientes atendidos, 1 milhão de livros vendidos e programa na cbn (Foto: João Mantovani)

Flávio Gikovate não tem um divã. Quando um paciente chega ao consultório dele, num dos endereços mais caros de São Paulo (a Rua Estados Unidos, nos Jardins), encontra primeiro uma fachada de cimento queimado com portas altas de correr. Depois, pode tomar café na recepção térrea, entre um jardim interno envidraçado e telas coloridas de Claudio Tozzi. Na hora da consulta, sobe por uma escada sem paredes laterais até a sala do psiquiatra e se senta: ou num sofá, ou numa poltrona bem confortável de couro preto. Mas divã, como no nome de seu programa semanal na rádio CBN (No Divã do Gikovate), não tem. “Sempre trabalhei assim, prefiro olho no olho”, diz. Talvez seja o olho no olho, talvez seja o método da “psicoterapia breve” e a promessa de alta em seis meses – que faz com que ele atenda 200 pacientes por ano. Fato é que Gikovate se tornou o confidente de alguns dos empresários e executivos mais bem-sucedidos do país. Nesta conversa, ele fala sobre a gastança dos brasileiros ricos, a cabeça do bom líder e outros temas atuais, mas de um ponto de vista diferente. Ou você já tinha ouvido que a culpa do consumismo é da pílula anticoncepcional?

Dinheiro anda comprando mais felicidade ou infelicidade?
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Solidão também é bom

O pavor da solidão é algo presente em muitos de nós por razões que nem sempre são muito consistentes. Em primeiro lugar, ela costuma estar associada à dor que sentimos nos primeiros tempos depois de uma separação amorosa. É claro que nos habituamos ao aconchego que deriva de uma união, mesmo que problemática.

A dor derivada da ruptura não corresponde à solidão e sim a uma tristeza que deriva da transição de uma condição para a outra. A solidão corresponde ao estágio posterior, ou seja, ao modo como vivemos depois de ultrapassar Continue Lendo →

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A adolescência e seus problemas

18 de junho de 2014 por Flávio Gikovate | 0 comentários

A adolescência é um período da vida muito especial, tanto quanto os primeiros anos da infância.

O corpo se torna adulto, enquanto a cabeça se mantém criança, ou seja, o lado psicológico não acompanha as dramáticas mudanças do corpo dadas pela revolução hormonal associada ao surgimento da sexualidade adulta.

É a fase em que os indivíduos lutam por sua independência, mesmo sem ter a devida competência para isso.

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